quarta-feira, 13 de abril de 2011

COMO CONSTRUIR UMA MARCA PESSOAL DE SUCESSO

Como Bono construiu uma marca pessoal invejável

Saiba por que o rockstar tem hoje a reputação que lhe rende respeito na música, nos negócios e na política

Paul David Hewson nasceu em 10 de maio de 1960, na cidade irlandesa de Dublin. Desde o final dos anos setenta, porém, seu nome quase não é pronunciado. Foi nessa época que o engajado líder da banda U2 adotou o pseudônimo artístico Bono Vox, depois reduzido a apenas Bono. O codinome é usado mesmo pela família e pelos amigos mais próximos para se referir ao cantor.

Bono tem hoje trânsito livre com importantes líderes mundiais e é figura confirmada nos encontros do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Entre outros títulos, sua imagem pública já lhe rendeu mais de uma indicação ao prêmio Nobel da Paz e a nomeação como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time.

Reconhecidamente um dos artistas mais filantropos do mundo, foi principalmente no ativismo social que Bono mais engajou sua imagem. Apoiado no sucesso alcançado pelo U2 e no poder de influenciar grandes públicos com a música, o rockstar iniciou um verdadeiro recrutamento de aliados entre líderes de governo, instituições religiosas e organizações filantrópicas, acionando inclusive grandes marcas no mundo dos negócios para campanhas sociais.

Em 1984, o U2 participou do Band Aid e do Live Aid, concertos que arrecadaram fundos para combater a fome na Etiópia. Anos depois, Bono juntou-se ao movimento Jubilee 2000, que pretendia pressionar países ricos a perdoarem a dívida externa de 52 nações. O músico é ainda um dos fundadores da ONE, organização de combate à pobreza, e também co-fundador da DATA, uma ONG de combate à Aids, à fome e à corrupção no continente africano.

“Tudo isso torna o discurso de Bono muito consistente”, explica Marcos Hiller, coordenador do MBA Gestão de Marcas da Trevisan Escola de Negócios. “Quando falamos em construção de marca, falamos em longo prazo porque é um trabalho cirúrgico, que demora anos. O Bono é um artista politicamente correto, casado com uma pessoa que foi sua namorada no colégio, que fala por causas sociais desde a década de 80 e lidera uma banda ativa há muito tempo sem brigas. Isso conta”, acrescenta Hiller.

De acordo com Leonardo Araújo, professor de marketing e pesquisador da Fundação Dom Cabral, Bono tem o mérito de conversar com vários stakeholders, e não apenas com os fãs da banda: “Ele fala com pessoas da comunidade, com políticos, e começa a construir um conceito de reputação a partir disso, coisa que ele jamais conseguiria se não tivesse uma imagem forte e consistente, amparada nas suas atitudes”.

A voz de Bono surte efeito não só entre governantes, mas também entre as grandes marcas do mercado. Em maio de 2009, o grupo francês LVMH – maior império de luxo do mundo, dono de grifes como Louis Vuitton e Dior – adquiriu 50% da marca de vestuário socioambiental Edun, criada por Bono e sua esposa, Ali Hewson, em 2005.

A marca de roupas, fabricadas com materiais orgânicos, nasceu com o intuito de estimular o desenvolvimento econômico em países pobres, tendo etapas de produção espalhadas por vários lugares da África. A iniciativa foi importante para reafirmar o comprometimento do cantor em sair do plano teórico e colocar seu discurso em prática.

“Bono tem uma agenda pública e social que passa credibilidade”, diz Belmiro Ribeiro da Silva Neto, professor do departamento de marketing da FGV-EAESP. “Além de fazer um trabalho constante de comunicação, certamente apoiado em uma assessoria especializada em gestão de imagem, o cantor tem um posicionamento condizente com causas sociais do seu tempo. Isso o mantém jovem e gera empatia junto ao público”, explica o professor.

Negócios

Bom moço no universo filantrópico, Bono também faz questão de sedimentar sua credibilidade no mundo dos negócios. Por meio da Elevation Partners, empresa de investimentos focada em mídia e entretenimento, o artista possui 1,5% das ações da rede social Facebook – a fatia representa um montante de 750 milhões de dólares -, além de 1,9 bilhão de dólares divididos entre empresas como Palm e Forbes. Junto com The Edge, guitarrista da banda, o rockstar é também dono de um hotel em Dublin, chamado The Clarence Hotel.

São justamente esses bens que levantam críticas quanto à autenticidade do discurso do cantor. Como um movimentador social tão engajado como Bono poderia acumular bens de valor tão alto? Para Leonardo Araújo, da Fundação Dom Cabral, não existe conflito nisso: “Se Bono passa uma imagem sólida e de acordo com as causas que ele defende - e ele passa -, não há nada de errado em se preocupar com o bom andamento de suas finanças”.

Passagem pelo Brasil

Com shows do U2 marcados no Brasil desde o último final de semana, Bono aproveitou a agenda para encontros políticos com o ministro da Fazenda Guido Mantega, com quem conversou sobre programas sociais de combate à pobreza, e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem passou duas horas debatendo temas como África, desenvolvimento e combate à fome.

Na última sexta-feira (08/04), a banda teve ainda um audiência com a presidente Dilma Rousseff em Brasília. Na ocasião, o cantor falou à presidente sobre a vontade de conhecer o programa brasileiro de combate à pobreza.

Na noite de hoje (13/abril/2011), o grupo faz seu último show no Brasil, no estádio do Morumbi, em São Paulo.

FONTE: Exame on line - acesso em 13/04/2011

http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/como-bono-construiu-uma-marca-pessoal-invejavel?page=2&slug_name=como-bono-construiu-uma-marca-pessoal-invejavel

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lupo se reinventa ao longo de 90 anos para manter marca viva - Marketing - EXAME.com

Caríssimos,

Esta matéria da Exame - Marketing, mostra como uma marca pode sobreviver no mercado por 90 anos, sempre se atualizando e mantendo a preferência do consumidor!!! (Relativo a aula 5 - Produtos, serviços e marcas).

Prof Edson

Rio de Janeiro - Para uma marca completar 90 anos é necessário esforço e capacidade de atualização. Expandindo sua linha de produtos e sabendo se ajustar a cada época, a Lupo completa nove décadas. Hoje, a empresa brasileira está presente em 30 países e expõe seus produtos em mais de 400 mil pontos de venda, entre lojas exclusivas e multimarcas.

No Brasil, são 200 franquias operadas pela empresa e 188 lojas próprias. A presença em todos os estados do país faz com que a companhia comemore os 50% de market share. A empresa também conta com uma loja virtual, a Lupo Store, remodelada recentemente. Para continuar crescendo, o foco atual é a segmentação do varejo para atingir novos públicos. Em dezembro de 2010, foi inaugurada uma loja conceito sob a bandeira Lupo Lingerie, na Oscar Freire, em São Paulo. Cerca de 80% do mix de produtos é voltado para o público feminino.

“A cada ano, a Lupo registra crescimento de 25% no Brasil. Apesar de exportarmos para países ricos, a América do Sul ainda é nosso mercado mais forte”, afirma Valquirio Cabral Junior, diretor comercial da Lupo.

Evolução da empresa

A história da marca começa em março de 1921, quando Henrique Lupo funda, em Araraquara, São Paulo, a fábrica Meias Araraquara. No ano de 1937, a empresa passa a se chamar Meias Lupo S/A. Mas é a partir de 1947 que a Lupo começa a ganhar força. Entre os destaques está o fato de que a companhia foi uma das primeiras a utilizar o Nylon como tecido no Brasil.

Com o crescimento dos negócios, é inaugurado um prédio de oito pavimentos para comportar tanto o setor administrativo, como o industrial. A partir da década de 1960, a companhia passa a investir agressivamente na produção, comprando máquinas e mecanizando parte dos processos.

Em 1979, a Lupo ganha uma nova fábrica, às margens da rodovia Washington Luiz. A expansão possibilita um investimento maior na linha de produtos e permite que a empresa passe a vender outros itens, além de meias. Em 1980 é lançada a linha de meias-calças Loba, que se tornou um dos maiores sucessos de venda da Lupo. Já na década de 1990 é apresentada ao mercado a linha de cuecas.

Investimento em esporte para conquistar outros público

Sempre com foco em aumentar as opções de produtos para os consumidores, nos últimos anos, a Lupo tem investido em sua linha esportiva, a Lupo Sport. Em 2009, a marca fechou seu primeiro acordo com o clube Náutico Capibaribe, fornecendo material esportivo para a equipe. Hoje, a empresa patrocina 35 clubes brasileiros, como o Guarani, o Duque de Caxias e o São Caetano.

Outra ação focada no esporte foi o lançamento de meias comemorativas para a Copa do Mundo de 2010. As peças traziam a mascote da competição e o logotipo do evento. A coleção possuía produtos tanto para profissionais, como para mulheres e crianças. A iniciativa teve como objetivo atrair novos públicos e investir no marketing de oportunidade, aproveitando a exposição que a Copa permitia.

Manter uma marca viva por tanto tempo exige a observação de alguns critérios. “O gerenciamento deve ser muito bem administrado, os produtos têm que oferecer qualidade sempre e o preço precisa ser compatível com o público alvo. A empresa também deve investir em uma boa distribuição e estratégias de marketing que criem um relacionamento emocional com a marca”, explica Ricardo Teixeira, coordenador de curso do FGV Management.

Interferência do clima nas vendas

Para promover os lançamentos e divulgar suas linhas de produtos, a empresa conta com a revista Lupo Magazine. A publicação trimestral foi criada em 2005 e é distribuída gratuitamente em todas as lojas do Brasil. Além dos lançamentos da marca para cada estação, é possível conferir dicas de moda, culinária e entrevistas com personalidades que fazem parte da história da Lupo.

Iniciativas como a revista visam manter a marca próxima do consumidor durante todo o ano. Apesar de o calendário comercial contribuir para as vendas, é no inverno que a empresa garante boa parte do seu faturamento. “Temos picos de venda nas datas comemorativas, como Dia dos Namorados e Dia dos Pais, mas durante o inverno o nosso faturamento se eleva 35% a mais do que em outros períodos”, diz o diretor comercial da Lupo.

A Lupo também investe em sustentabilidade e inclusão social, ao contratar pessoas portadoras de necessidades especiais. Já no processo fabril, os resíduos da produção são reciclados para diminuir o impacto no ambiente e toda água utilizada no resfriamento das máquinas é reutilizada. Para a Lupo, o maior trunfo, no entanto, é a confiança dos consumidores, que ajuda no processo de ampliação de portfolio.

“No passado, as empresas primavam pela qualidade do produto. Com o desenvolvimento dos mercados, as companhias passaram a trazer um mix maior e mais diferenciado de itens. Quando a confiança em determinada marca é grande, os consumidores transferem essa credibilidade para os lançamentos”, exemplifica Teixeira.


Fonte: Marketing - EXAME.com